Suor por todo o corpo.
Foi esse o primeiro pensamento que veio em minha mente ao acordar no meio da madrugada quente de verão. Tivera um pesadelo, o mesmo que me assombra a algumas noites...
Desde que ele foi escolhido o melhor, e eu fiquei responsável pela sua apresentação ao público, a insegurança da falha, o medo da perda me consomem.
Rezo para que ele esteja bem. Mesmo estando a 10 metros de mim no outro aposento, eu rezo.
Levanto. A aflição, a ansiedade de ter a verdade revelada por meus olhos é excruciante. Saio do quarto evitando olhar pela brecha da porta entreaberta. Encho um copo de água gelada. Um instantâneo prazer percorre meu esôfago e atinge meu estômago, fazendo o calor escaldante parecer mais suportável, mas não o medo.
Olho para a porta.
Me impressiona a imbecilidade de temer algo que por anos foi a minha meta, por anos abdiquei da minha vida, minha mulher... Um sopro de coragem surge. Nada aconteceu, não ainda e eu sei disso. Involuntariamente meu corpo me leva à porta. Novamente sinto o calor... e o medo. Fito a brecha, encaro a porta e a empurro. Forte demais. Ela bate e minha esposa sonolenta reclama algo que não consigo entender, murmúrios débeis de repreensão.Mas lá está ele, exatamente na mesma posição. Iluminado pela lua que o deixa ainda mais belo.
E eu me acalmo. Saio do quarto fechando bem a porta, esboçando um sorriso de felicidade. Amanhã o mundo o verá denovo, e eu continuarei cumprindo meu papel, recolhendo os espólios do meu esforço.
E amanhã o mundo tornará a ver... o maior abacate do mundo.
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